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Ferramentas para técnico de ar-condicionado

Consumo do ar-condicionado: quanto custa por mês na conta de luz

Calcule o custo mensal do ar-condicionado a partir do kWh/ano da etiqueta nova do INMETRO. Ajusta pelas horas de uso reais e pela tarifa, e avisa quando a etiqueta deixa de valer como estimativa.

Grátis, sem cadastro e sem limite de uso. O cálculo roda no seu próprio navegador — nada do que você digita é enviado para nós.

O que a etiqueta diz

O número grande da etiqueta nova, em kWh/ano. Etiqueta antiga trazia kWh/mês — não serve aqui.

A tarifa está na conta de luz, já com os tributos. Varia bastante por distribuidora e por bandeira.

Não tem o kWh/ano? Estime pelo IDRS

Capacidade em watts (12.000 BTU/h ≈ 3.516 W) e o IDRS em Wh/Wh, que aparecem na ficha técnica e no anúncio da loja.

E depois que você anota o resultado?

É a primeira pergunta que o cliente faz no orçamento, e a etiqueta sozinha não responde — ela supõe um uso que quase ninguém tem. Registrado na OS junto com o modelo instalado, o número vira o combinado, não a promessa que ninguém lembra.

Ver como fica no histórico do aparelho

Quanto gasta um ar-condicionado por mês?

Split 9.000 inverter, 8 h/dia
≈ R$ 33/mês
Split 12.000 inverter, 8 h/dia
≈ R$ 44/mês
Split 18.000 inverter, 8 h/dia
≈ R$ 70/mês
Split 24.000 inverter, 8 h/dia
≈ R$ 78/mês

Estimativa com tarifa de R$ 0,95/kWh e aparelhos classe A da tabela oficial do PBE. A conta depende da tarifa da sua distribuidora e das horas reais — a calculadora abaixo refaz com os seus números.

O que mudou na etiqueta, e por que ninguém consegue calcular

A Portaria INMETRO nº 269, de 22/06/2021, em vigor desde 1º de janeiro de 2023, trocou duas coisas ao mesmo tempo — e é a combinação que confunde:

  • O consumo saiu de kWh/mês para kWh/ano.
  • A base de uso saiu de 30 horas por mês (360 por ano) para 2080 horas por ano.
  • A eficiência saiu do EER em W/W, de ponto único, para o IDRS em Wh/Wh, sazonal.
  • As classes foram de A–D para A–F.

Quem pega o kWh/ano novo e compara com o kWh/mês antigo multiplicado por doze vê o consumo quase sextuplicar e conclui que o aparelho piorou. Não piorou: a base de uso deixou de supor uma hora por dia.

A tabela que o cálculo usa

A Tabela A.1 do Anexo I da Portaria distribui as 2080 horas por faixa de temperatura externa. É ela que define o ciclo de ensaio:

TemperaturaHoras/ano% do ciclo
21 °C1306.3%
22 °C1678.0%
23 °C23111.1%
24 °C27113.0%
25 °C25312.2%
26 °C22610.9%
27 °C1899.1%
28 °C1497.2%
29 °C1286.2%
30 °C1115.3%
31 °C844.0%
32 °C602.9%
33 °C381.8%
34 °C221.1%
35 °C120.6%
36 °C50.2%
37 °C30.1%
38 °C10.0%
Total2080100%

Repare no formato: o pico é 24 °C, com 271 horas, e 71% das horas ficam em 27 °C ou menos. Os dias de 35 °C somam 12 horas no ano inteiro. O ciclo é de carga baixa, não de pico de calor — e é por isso que o inverter aparece bem nele.

O erro que quase todo mundo comete

A conta que parece óbvia é esta, e ela está errada:

ERRADO: consumo = capacidade × 2.080 h ÷ IDRS

Ela supõe o aparelho a plena carga durante as 2080 horas. Conferimos nos 60 modelos da planilha oficial do PBE/INMETRO qual é a carga que o ciclo realmente supõe:

consumo (kWh/ano) × IDRS ÷ 2.080 = carga térmica média carga média ÷ capacidade nominal: mediana 39,7% · faixa 36,6% a 45,2%

Ou seja: o ciclo supõe cerca de 40% da capacidade, e a conta de carga cheia erra por mais de duas vezes para cima. Num Daikin FTKP12Q5VL, que a planilha publica com 403,6 kWh/ano, a conta errada devolveria mais de 1.000.

O que fazer, então

Use o kWh/ano impresso na etiqueta — ele já é o resultado do ensaio, com a distribuição de carga embutida. O que a etiqueta não faz é adaptar ao uso real do cliente e virar dinheiro, e é isso que a calculadora acima resolve:

custo por mês = kWh/ano × (horas reais ÷ 2.080) ÷ 12 × tarifa

É aproximação, não o método da norma — quem usa mais horas também usa em faixas de temperatura diferentes, e a distribuição real muda. Mas para responder “quanto vou gastar por mês” na frente do cliente, é honesto e é muito melhor que o nada que existe hoje.

Onde a etiqueta deixa de valer

O ciclo de referência é residencial. Em loja com porta abrindo, sala com muita gente ou ambiente com equipamento gerando calor, o aparelho não roda a 40% de carga — e o consumo real fica acima do calculado. A calculadora avisa quando o uso informado sai muito do ciclo, porque é justamente esse caso que gera reclamação depois da instalação, e quem leva a culpa é o técnico.

De onde vieram estes números

A Tabela A.1 e a definição do IDRS saem do texto da Portaria INMETRO nº 269/2021. As 2080 horas estão confirmadas duas vezes: pela soma da própria tabela e pela nota da planilha oficial do PBE, que diz “consumo de energia com base nos resultados do ciclo normalizado pelo INMETRO, de 2.080 horas por ano”. A carga média de 40% foi verificada por nós nos 60 modelos publicados nessa planilha.

Depois do cálculo vem o serviço

O ClimaOS é o sistema de quem faz esse cálculo no dia a dia: ordem de serviço no celular, histórico técnico de cada aparelho, fotos da visita, orçamento aprovado pelo cliente e garantia com lembrete de revisão. Feito para o técnico de ar-condicionado autônomo.