Não existe tabela oficial de preço para limpeza de split, e qualquer texto que te dê um número pronto está inventando ou copiando de outro que inventou. O preço muda com a cidade, com o tipo de aparelho, com a altura da instalação, com o custo do seu deslocamento e com o quanto você já tem de agenda.
O que dá para fazer — e é mais útil que um número — é montar a conta que produz o seu preço. Ela tem quatro partes, e a primeira é onde quase todo mundo erra.
Você não vende hora trabalhada. Vende hora disponível.
A limpeza leva uma hora e meia, então o serviço custa uma hora e meia do seu tempo? Não. Ele custa o deslocamento até lá, o tempo de montar e desmontar, o retorno, e a fatia do seu dia que ficou indisponível para outro cliente.
Um técnico que atende quatro aparelhos num dia não trabalhou seis horas: ele gastou o dia. E é o dia que precisa ser pago.
Quantas horas você pode faturar por mês
Comece pelas horas úteis: se você trabalha oito horas por dia, cinco dias por semana, chega a cerca de 176 horas no mês. Esse número não é o que você fatura.
Dele saem o deslocamento entre atendimentos, o tempo de orçamento que não fecha, a compra de material, o retorno em garantia, o dia sem chamada e a parte administrativa — mandar orçamento, cobrar, organizar nota. É comum sobrar entre metade e dois terços daquele total como hora efetivamente faturável.
Faça essa conta com o seu número, não com o meu. Se sobram 100 horas faturáveis, é por 100 que todo o seu custo do mês precisa ser dividido — não por 176. Dividir pelo número maior é a origem mais comum do preço que não fecha no fim do mês.
Seu custo fixo do mês, incluindo o que é oficial
Liste o que sai todo mês independentemente de você atender ou não: veículo (parcela, seguro, manutenção, IPVA diluído), celular e internet, ferramenta que se desgasta e é reposta, uniforme, contador se você tem, e a sua própria retirada — o valor que você precisa levar para casa.
Se você é MEI, há uma parcela fixa e verificável: em 2026 o DAS mensal é composto por R$ 81,05 de INSS, mais R$ 5,00 de ISS para quem é contribuinte desse imposto e R$ 1,00 de ICMS para quem é contribuinte dele. Para o prestador de serviço, que recolhe ISS, isso dá R$ 86,05 por mês. O valor do INSS corresponde a 5% do salário mínimo de R$ 1.621,00 fixado para 2026.
Some tudo e divida pelas horas faturáveis. Esse é o seu custo por hora antes de qualquer lucro — o piso abaixo do qual todo atendimento tira dinheiro do seu bolso.
O custo daquele atendimento específico
Sobre o custo por hora entra o que aquele serviço consome: material (bomba de limpeza, produto, sacos, filtros), o deslocamento real até o endereço, e o adicional quando o serviço é mais difícil — aparelho alto, cassete, ambiente sem ponto de água, escada.
Deslocamento merece uma linha própria porque é o custo mais subestimado da profissão. Um bairro a quarenta minutos não custa gasolina: custa o atendimento que não coube na agenda por causa da viagem.
A margem, e por que ela não é opcional
Custo por hora somado ao custo do atendimento te dá o ponto de equilíbrio: nesse valor você não perde e não ganha. A margem é o que paga o mês fraco, a ferramenta que quebra, o retorno em garantia que você vai fazer sem cobrar e o crescimento do próprio negócio.
Preço sem margem não é preço competitivo — é o próximo problema. É ele que faz o técnico atender o mês inteiro e não conseguir trocar a furadeira.
Por que o preço baixo custa mais caro
Cobrar abaixo do concorrente atrai um tipo específico de cliente: o que escolhe por preço. Esse cliente troca de técnico na próxima cotação, negocia depois do serviço feito e é o que mais reclama. Você trabalha mais para faturar o mesmo, e ainda constrói uma carteira que não se sustenta.
O caminho contrário é mostrar o que está incluso — o orçamento discriminado, que o Código de Defesa do Consumidor já exige de você — e entregar registro do serviço com foto e data. Cliente que entende o que está comprando compara valor, não só número.
O número que você não tem
Toda essa conta depende de saber o que entrou e o que saiu no mês, e essa é a informação que mais falta a quem trabalha sozinho. Sem ela o preço vira chute, e o chute costuma ser para baixo — por insegurança, não por estratégia.
Antes de reajustar qualquer valor, vale passar um mês anotando: quantos atendimentos, quantas horas de fato, quanto de material, quanto de deslocamento. Com esses quatro números, a conta acima deixa de ser exercício e vira o seu preço.
